Miriane Willers
pés borboletas no assoalho
berço nu
brisa no parreiral
balé lilás na manhã de sábado
formigas na página em branco
orgia de sílabas ávidas
piano no canto da memória
pó, ré, mi, fá, só, lá, si
menina fora da ciranda
mãos senis de castelo
vela de lavanda apagada
fala feminina
chamas vitais
vento nas ásperas rochas missioneiras
templos ancestrais devolutos
este poema
lâmina cega na carne