HIATOS MUDOS


Miriane Willers

pés borboletas no assoalho
berço nu

brisa no parreiral
balé lilás na manhã de sábado

formigas na página em branco
orgia de sílabas ávidas

piano no canto da memória
pó, ré, mi, fá, só, lá, si

menina fora da ciranda
mãos senis de castelo

vela de lavanda apagada
fala feminina
chamas vitais

vento nas ásperas rochas missioneiras
templos ancestrais devolutos

este poema
lâmina cega na carne

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Miriane Willers

E-mail: mirianew@yahoo.com.br

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