A VIDA PEDE CALMA


Miriane Willers

Na mochila, toalha, maçã e protetor. Sem bússola, relógio ou mapa.
Ignorando a artrose, pisa na trilha úmida e desconhecida e abre a página da manhã com a leveza das folhas da pitangueira. O vento sussurrado e verde percorre cada músculo. Pássaros-palavra pousam nas árvores altas e advinham céus. Adiante, a sanga toca harpa para as pedras, numa cachoeira de pensamentos.
Com as mãos, percorre a pele rugosa da floresta. Cada vinco, uma história de resistência.
Com os olhos, descobre orquídeas silvestres, desenhos do sol, musgos, besouros, formigas. Pequenos territórios vivos.
Caminhar, inspirar, respirar a vida sem pesos, medidas, metas, dados, algoritmos, emojis, obrigações. Só a comunhão do corpo com elementos sagrados: ar, água, terra, sol.
Encontra-se inteira e reiniciada.

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Miriane Willers

E-mail: mirianew@yahoo.com.br

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